quarta-feira, 24 de outubro de 2012

DESAFIOS DA SOCIEDADE MODERNA, COM SANDRA BORBA.


Viver em sociedade é necessidade sem igual, sem a qual não é possível crescer. Nada seriamos sem os outros. Com eles construímos nossa personalidade desde o nascimento e através de todas as fases de nossa vida. A natureza possibilitou o dom da palavra e todas as outras faculdades, exatamente para que o homem possa viver plenamente suas relações sociais.
Deixamos de ser povos localizados para nos tornarmos planetários. Estamos próximos de 1 bilhão de pessoas conectadas na rede mundial. Vidas expostas ao mundo, compartilhando informações como também preocupações, exigindo de todos mais tomadas de decisões.
E assim vamos desenvolvendo nossas faculdades, compartilhando, discordando, progredindo como seres, defendendo nossos valores, ideias e hábitos, e ao mesmo tempo precisando respeitar e compreender os dos outros. Caminho este que nos leva à evolução, e por que não dizer, a felicidade que todos buscam.
Aquele que diz que não suporta o mundo alimenta apenas seu próprio egoísmo, não suportando as divergências, se anula no embate evolutivo.
Apenas os atos fraternos para com o próximo criam os laços do progresso. Com o tempo, o instinto da procura vai se refinando, aumentando as possibilidades de conquistas mais duradouras, relações mais firmes e verdadeiras. Hora de ouvir mais, se colocar no lugar do outro, compreender, perdoar, respeitar direitos e abdicar de liberdades individuais.
Quando as faculdades estão mal preparadas, pouco evoluídas, abrem-se os espaços para as brigas, os confrontos, o domínio de um sobre o outro. Ao invés da humanização, as relações que buscam a imposição de ideias, maneiras e razões, que limitam a evolução natural do próximo, faz germinar a desumanização. Assim o mais forte, informado, o guerreiro, sacerdote, sábio, rei, gestor, manipula a verdade e lidera facilmente a maioria.
Desafios da sociedade moderna como a fome, o desequilíbrio financeiro entre as pessoas, as doenças mal tratadas, o desrespeito aos direitos humanos, a carência de água potável, ganham uma companhia ainda mais perversa: o egoísmo, raiz de todos os demais problemas, incompatível com a justiça, o amor e a caridade.
Não pensar no outro, na sociedade como um todo, faz do homem um ser primitivo, que não evoluiu, que não aprendeu a desenvolver as faculdades a ele concebidas. Ainda mais grave quando se vive em um mercado de consumo impessoal, onde são valorizadas a aparência, a boa imagem visando a evidência do sucesso, da fama. Parecer que tem, parecer que é, através das roupas da moda, dos carros de última geração, do veraneio na praia de Tibau.
No mundo real o grande desafio da sociedade é não ser tão moderna, buscando um freio na desumanização crescente entre as pessoas, grupos, países.
Cada um assumindo sua responsabilidade, tomando iniciativas, atitudes, posturas para se posicionar sem ter que se corromper. Ter a exata consciência da dimensão que o homem possui, com a coragem necessária para se distinguir do padrão comum.
O caminho para melhorarmos o mundo passa pela nossa melhoria. Assumindo a construção da mudança que começa na verdade em nós mesmos. Sendo exemplo, acendendo a luz própria da luta contra o nosso egoísmo enraizado.  
(Minha síntese da palestra desta terça-feira, na 24ª Semana Espírita de Mossoró)

* Sandra Borba: vice-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Norte, possui larga experiência junto às Mocidades Espíritas, com atuação em nível nacional e internacional, Doutora em Educação, bem como Professora da UFRN.
* Foto: Comissão Regional Espírita do Oeste Potiguar – CREOESTE.

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