A família é
o lugar. O amor de pai, de mãe ou de filho é sempre único e abençoado. Mesmo
quando chega a velhice, quando a morte não surpreende antes, deve-se entender
que ela é parte da vida, necessitando do mesmo afeto, carinho e respeito dos seres aos quais, durante toda a vida, dedicou tais sentimentos.
Velhinho que
treme e quebra a louça da nora, merece toda sua compreensão; que devido o
aneurisma está em cadeiras de rodas, precisa de ainda mais carinho. Essa
relação de amor não pode ser suplantada por interesses mesquinhos e menores.
Hoje, nossas
ruas se transformaram em guetos de violência e insegurança. Jovens perambulam em
busca de dinheiro e drogas sem limites éticos ou morais. Esta realidade também é devido não
terem em casa a consistência das relações amorosas. Muitos vivem sob relações vulneráveis,
cheias de sentimentos negativos e vidas tendentes ao isolamento.
Como estão nossos laços de
família?
Allan Kardec escreveu que quando o elo familiar se quebra, passa-se a viver em uma
sociedade fragilizada, pois a família é um suporte insubstituível. Nas redes
sociais os sentimentos são vazios, pois existe a conversa, mas não o relacionamento,
o olhar, o sorriso, o improviso, o tremer das mãos... Cria-se relacionamentos virtuais
que pouco duram, desencantam, assustam, são incompatíveis com a grandeza do ser
humano.
Fica
faltando a conquista pela doçura, pela virtude, a maturidade interpessoal. Forma-se
a sociedade solitária, sem compromissos sociais, onde se perdem o aprendizado que
as relações provocam. Casas onde cada quarto liga-se uma TV ou um notebook, e cada pessoa vive o seu mundo, escuta suas músicas, assiste seus programas preferidos.
A TV comanda, enquanto a família se desgasta, e a sociedade se afunda no lodo
do egoísmo.
Estamos sós.
Época das liberdades morais. Cada um a pensar individualmente, a fazer o que
quer, e não o que deve. Casamentos frágeis, imaturos e infantis que não
conseguem durar, que fazem os dois encontrar o fracasso, quase sempre por
falta de um diálogo a mais. Chega-se hoje ao ponto de se fazer petição por
email e receber o divorcio online, procedimento que acaba quase que totalmente
as chances de uma bem-vinda reconciliação.
Reina a
indiferença e a dispersão. Finais de semana cada um para um lado (Cabeleireira,
futebol, games). A cozinha virou self service, cada um come e sai, em horas
diversas, sem que nenhum se lembre de agradecer a Deus aquele alimento, pois
ninguém está do lado para lembrar.
Precisamos investir
mais no ser humano para que a família não se dissolva. Acreditar nos laços de
família que se formam a cada dia, sem que percebamos que existe uma grande
razão nesta formação. Aproximar mais, criar vínculos, quebrar arestas, fazer
força para o bem vencer. Preocupamos-nos com nossos filhos, em qualquer idade,
por termos princípios morais a defender, um cuidado natural, contínuo e eterno. É preciso valorizar ainda mais esta relação de amor que está dentro de cada um de nós.
Lembremo-nos
que é a base familiar que proporciona e consolida a personalidade dos que
amamos, engrandecendo seus espíritos. É a família a joia de nossa vida, e dela se
expande o fino, delicado e sublime sentido de nossa existência.
(Minha síntese da palestra
desta segunda-feira na 24ª Semana Espírita de Mossoró)
* Marcel Mariano: funcionário público do Estado da Bahia, bacharel em Direito, graduado em História, médium e trabalhador do Núcleo Espírita Francisco de Assis e do Centro Espírita Mansão do Caminho, em Salvador, além de expositor espírita atuante no Brasil e fora dele.
* Foto: Comissão Regional Espírita
do Oeste Potiguar – CREOESTE.

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