quinta-feira, 25 de outubro de 2012

LIVRE ARBÍTRIO E FATALIDADE, COM LOURENÇO BARROS.


Não há nada mais brilhante para nossa evolução do que uma sala de aula. Ainda mais quando nela se ensina o amor ao próximo e a Deus. O espiritismo nos ensina que quando se tem a liberdade de pensar, automaticamente também se tem a liberdade de agir. Sem o livre arbítrio o homem seria uma maquina.
Educar a mente, disciplinar a vontade, reprogramar-se, um dia fará parte dos programas de saúde pública dos governos, pois o pensamento afeta diretamente o estado de saúde de cada um de nós. Pensar de forma otimista e positiva gera bem estar. Quando deste pensamento resulta ações que nos agradam e nos faz sentir bem, geramos um estado benéfico para nosso próprio corpo.
Através das várias fases da vida, a liberdade que temos no querer e no fazer vão mudando de acordo com a evolução de nossas faculdades. Aumentam as responsabilidades sobre nossos atos e também a consciência de seus resultados para nós e para os outros.
Nossas livres decisões nesta vida refletem até certa forma predisposições instintivas que vamos acumulando através das experiências de vida anteriores, conforme o adiantamento atingido pelo espírito. Poderemos, assim, resistir mais ou  menos as vontades terrenas, lembrando sempre, no entanto, de que querer é poder.
A evolução do espírito é condição básica para uma ampla consciência de nossas decisões. Quanto menor, mais chances de não se ter a ideal visão do que seja um ato certo ou errado a se concretizar. Apurar este sentido faz a necessidade que cada um de nós tem em viver as diversas experiências na terra, essas que nós mesmos propomos quando encarnados.
Aquele que aniquila seu pensamento para apenas se ocupar da matéria, faz-se semelhante ao bruto, age de forma inconsciente e fica aberto as ações do mal. Perturbar a própria inteligência faz com que se perca o domínio do pensamento, o que acarreta também perda de liberdade.
Por isto os estágios da reparação requerem a vivência de etapas antagônicas, vidas diversas e opostas, como a de um rico que volta como mendigo. Experiências que apuram o livre pensar e agir de cada ser.
Ações para satisfazer paixões brutas, não podem ser justificadas por estados de embriagues ou parecidos, já que eles são atingidos de forma voluntária, consciente de que acarretam privações e limitações no sentido da razão. Quando se é selvagem, se age pelo instinto, o que não impede de também se utilizar da inteira liberdade da escolha. Como na criança, essa liberdade é aplicada de acordo com suas necessidades, e ela se desenvolve com a inteligência.
Por consequência, tu, que és mais esclarecido do que o selvagem, és também mais responsável do que ele pelo que fazes.
Para a maioria dos espíritos, por falta da necessária evolução, não possuem nem mesmo a liberdade de escolha para sua vida seguinte. Reencarnam compulsoriamente no sentido de viver experiências que possam lhes tirar da obscuridade. Aos que podem escolher o destino a seguir ao encarnar, para sofrer esta ou aquela prova, a fatalidade se encerra neste ponto, pois durante a vida o que vai imperar é o seu livre arbítrio.
No tocante as provas morais e as tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre o senhor de ceder ou resistir. A vontade é suprema, tenha ela a influência dos bons ou maus espíritos. A decisão está sempre a disposição de cada um, de forma livre, seja quais os conselhos e entraves que surjam.
Milhões irão desencarnar sem jamais terem ouvido os ensinamentos do espiritismo. Assim, privilegiados que somos, devemos construir para os outros os caminhos para que também eles possam conhecer as possibilidades que temos na correta utilização do livre arbítrio em suas vidas.
(Minha síntese da palestra desta quarta-feira, na 24ª Semana Espírita de Mossoró)

* Lourenço Barros: orador pernambucano e conferencista espírita do Movimento Espírita Brasileiro.
* Foto: Comissão Regional Espírita do Oeste Potiguar – CREOESTE.

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