Deus não poderia dar ao homem a necessidade de viver
sem lhe dar os meios, por isso faz a terra produzir e fornecer o necessário a
todos, porque só o necessário é útil. O supérfluo nunca é.
‘A civilização que multiplica
as necessidades, também multiplica as fontes de trabalho e os meios de vida. Há
lugar ao sol para todos, mas com a condição de cada um ter o seu, e não o dos
outros. A natureza não pode ser responsável pelos vícios de organização social
nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.
Graças aos
louváveis esforços que a filantropia e a ciência juntas não param de fazer para
o melhoramento da condição material dos homens, e apesar do contínuo aumento
das populações, a insuficiência da produção está atenuada em grande parte. Os
anos calamitosos hoje nada têm de comparável aos de antigamente.’
Apesar desse avanço, muitos reclamam que não possuem o
que desejam, que vivem em privação. ‘O
homem que procura nos excessos de toda espécie um requinte de prazeres
coloca-se abaixo do animal, porque o animal sabe deter-se na satisfação da sua
necessidade. Despreza o homem a razão que Deus lhe deu por guia, e, quanto
maiores os excessos, mais domínio exerce sua natureza primitiva sobre a
natureza espiritual. As doenças, a decadência, a morte prematura decorrentes
dos abusos são a consequência da transgressão da lei divina.’
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