‘Nada é inútil na natureza; tudo tem seu
objetivo, sua finalidade. Nada está vazio, tudo está habitado, a vida está por
todos os lugares. Desse modo, durante a longa série de séculos que se escoaram
antes da aparição do homem sobre a Terra, durante esses lentos períodos de
transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos
primeiros seres orgânicos sobre essa massa informe, nesse caos árido onde os
elementos estavam desordenados, não havia ausência de vida.
Seres que não possuíam nem necessidades nem
sensações físicas como as nossas, nela encontravam refúgio. Deus quis que, até
mesmo nesse estado imperfeito, a Terra servisse para alguma coisa.
Quem ousaria dizer que entre esses milhares
de mundos que circulam na imensidão universal apenas um, um dos menores,
perdido na vastidão, tivesse o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria
a utilidade dos outros? Deus os teria feito apenas para recreação dos nossos
olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que emana de todas as
Suas obras e inadmissível quando se pensa na existência de todas as que não
podemos perceber.
Ninguém contestará
que nessa ideia da existência de mundos ainda impróprios à vida material e, entretanto,
povoados de seres com vida apropriada ao seu meio, há algo de grandioso e
sublime, em que se encontra, talvez, a solução de mais de um problema.’
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