Seja qual for a ideia que dos Espíritos se faça, a
crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio inteligente
fora da matéria. Quando é admitida a existência da alma e sua individualidade
após a morte, pelo menos duas coisas devem ser consideradas. 1) Que a sua natureza já não é a mesma da do
corpo; 2) Que ela goza da consciência de si mesma, pois é passível de alegrias e
sofrimentos, sem o que seria apenas um ser inerte. Mas para onde vai esta alma após a morte? Segundo a crença vulgar, para o céu ou para o inferno. Mas onde ficam?
A ciência já
comprovou que a Terra não passa de um grão de areia no grande universo. Milhões
de sóis brilham no espaço, constituindo cada um o centro de um turbilhão
planetário. A razão recusa a ideia de acreditar que a Terra seria o único
planeta povoado de seres racionais nesta imensidão. O que se presume existirem
muitos mundos a fornecer também seus contingentes para o mundo das almas.
Assim, ‘Não
podendo a doutrina da localização das almas harmonizar-se com os dados da
Ciência, outra doutrina mais lógica lhes assina por domínio, não um lugar
determinado e circunscrito, mas o espaço universal: formam as almas um mundo
invisível, no qual vivem imersas, cercando-nos e acotovelando-nos incessantemente.
Haverá nisso alguma
impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum; tudo, ao
contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira.’
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